Quinta-feira, Fevereiro 23, 2012

Poema Antigo - Perguntas

PERGUNTAS


Olho-te, por onde andas, sem saber para onde vais,
procuro-te, sem saber onde nem porquê.
Observo na terceira pessoa que já foi primeira,
sinto como quem só sente, a solidão sem razão.

Procuro uma saída sem entrada,
na escuridão, busco a lâmpada partida.
Talvez seja eu que não queira encontrar a luz,
sofro sem sofrimento… como Cristo sem cruz.

Não encontro os erros que fiz, nem procuro,
fico sozinho, num beco frio e escuro.
Crio uma guerra, que mais nada será
se não uma vazia esperança de paz.

Luto, sem armas nem meios.
Crio e destruo o teu mais simples receio.
Perdido, sem mapa no caminho certo…
Perdido por nunca poder saber se estarei perto.

Ignorância, que banha a nossa existência,
nunca teremos as respostas,
que alimentam uma vida de perguntas.
Para onde vou? Quem sou?
Só saberei onde estou.

2006
André Henry Gris

Quarta-feira, Janeiro 18, 2012

Menino Poeta

Menino poeta, que em cada nova palavra faz uma descoberta, um novo sentimento, uma ténue linha entre a dor e o amor, de um escritor que é antes de o ser. Observador, calado e tímido, que brinca sozinho e inventa o seu caminho por entre uma imaginação criada na ilusão de quem acredita no que sente. A solidão de um menino poeta que nunca estará só… as palavras acompanham, viajante de prosas e poemas, descobertas de sentimentos transcritos em papiros de saudade de um tempo que voa e carrega a semente da minha poesia, pequenos esboços de tinta que entrelaçam-se numa folha de papel fértil onde brotam mil pedaços de mim. Serei adulto quando não poder ser criança, quando não acreditar mais nesta esperança que faz-me sentir, seja um sorriso ou uma lagrima que desliza pelo meu rosto, e é desse sentir que este menino poeta aprendeu de todos com quem conviveu, guardou historias e memorias do que viveu, algumas já escreveu outras ainda estão por escrever e muitas vão morrer quando eu fechar os olhos, e na minha tumba descansaram em paz as palavras que ficaram por escrever. Existe tanto para descobrir neste mundo mas só para aquele que acredita que não conhece tudo, por esse motivo sou menino, criança poeta que tem esperança em aprender, tudo aquilo que não aprendeu.

André Henry Gris

Sábado, Dezembro 31, 2011

Ano novo...

Este ano foi muito importante e especial para mim, o concretizar de um sonho depois de uma espera eternamente longa, e o mais importante desta vida é isso o concretizar de algo, seja sonho, ambição ou um desejo. O tempo passa rápido ou melhor voa e não joga a nosso favor, tanto acontece num ano mas parece que o único importante são as 12 badaladas de um ano novo, quando antes existe tanto para reflectir, tanto para mudar e aprender.
Uma das lições, que aprendi com a minha filha este ano é que para os bebes tudo é novidade, uma pequena novidade é a maior felicidade deste mundo, o desconhecido a vontade de explorar e de aprender e nós adultos presumimos que já conhecemos tudo em vez de explorar novos horizontes. Impomos as nossas barreiras neste mundo cheio de fronteiras onde somos livres mas acreditamos que estamos presos, muitas vezes por nossa culpa… queremos mais do que podemos em vez de contentar-nos com o pouco que temos. Um sorriso, um beijo, uma pessoa para partilhar a vida, existe tanto para fazer, tanto por desvendar e partilhar. Seja com um parente, amigo de toda a vida ou com quem já não vês há mais de 20 anos. Esta vida é feita de pequenas historias que vamos escrevendo sem dar conta, recordar é viver, e eu vou vivendo e recordando. A vida muda, todos nós mudamos, crescemos não significa que esquecemos, lá no fundo lembramos de cada um que fez parte dos nossos momentos bons ou maus e guardamos naquele cantinho especial, mesmo quando não recordamos.
A vida passa por nós e muitas vezes esquecemos de viver, de aprender, de sentir. Façam o que fizerem não se esqueçam de sonhar e de lutar para tornar os vossos sonhos realidade… e sejam felizes. São os meus votos para 2012… Sejam Felizes.

Quinta-feira, Dezembro 29, 2011

Ausência

Estas ausente,
E presente,
Como quem sente,
O que não existe.

A essência,
Da tua ausência,
que com persistência.
Sobrevive.

Uma palavra lançada ao ar,
Sem rumo de esperança,
uma pequena lembrança
Que não soube voar.

O recordar eterno,
De uma despedida,
Que guardo neste caderno,
Onde ainda tens vida.

Um verbo amar,
Incompleto sem ti,
O verbo odiar,
Por tudo o que perdi.

A dor, dolorosa
De quem perdoa,
O que não pode ser perdoado.

Uma tempestade,
De palavras bravas,
Reflexo da saudade,
Quando tu ainda amavas.


André Henry Gris

Quarta-feira, Dezembro 21, 2011

A Noite

Palavras adormecidas,
Despertas pela lua,
Que embala poetas,
Abraçados a uma dor crua.

As estrelas,
Observam o poeta corajoso,
Testemunhas silenciosas,
Desse doloroso, sentir.

Letras delineadas,
Na beleza da escuridão,
Colhidas,
No compasso da solidão.

Promessas,
De noites sem dormir,
Cinzas queimadas,
De palavra sem sentir.

O Sangue escorre,
Sem estancar,
E lentamente morre,
Para quem não soube amar.

Palavras vazias,
Vencidas,
Por o nascer do dia,
Que adormece a poesia,

Até que a noite desperte,
A poesia que ficou por escrever.
E a dor que ficou por esquecer.

Quarta-feira, Novembro 23, 2011

Musa

Lutas do meu lado, enfrentando um futuro desconhecido e um passado já sofrido, num sopro afastas a bruma que esconde essa pagina branca, vazia que tanto preciso para encher de poesia. Letra a letra desenho-te numa vida chamada tempo, em que adormeço no enlevo dos teus braços, eternidade que vive nas palavras que escrevo. Ofereço as palavras que são a única riqueza que possuo, o trabalho árduo de um poeta, em entregar a cada sentimento uma palavra e a cada momento um poema, libertando aos quatros ventos um beijo que levará ao teu ouvido a riqueza que da minha boca brota, uma melodia que apenas nós escutamos, num silêncio que percorre os nossos corpos como um rio que morre no leito dos nossos braços. Nas noites que escrevo sozinho, sigo o rastro do teu caminho num mar literário em que afogo o nosso dialogo, neste monologo escrito na solidão de uma noite. Desperto desse pesadelo, num castelo onde restam ruínas de pedras soltas, palavras desmontada nesse tempo que é tudo o que resta para esta alma vencida. Componho uma nova melodia, dia a dia, pedra por pedra como quem reconstrói o tempo, numa persistência que é raiz da essência do nosso amor. Um novo dia, um amanhecer onde os primeiros raios do sol contornam os nossos corpos deitados, na esperança de quem não desistiu, um amor que persistiu a dor e prosseguiu o seu caminho, em folhas preenchidas que em todas as noites desta vida inspiras.

Quarta-feira, Outubro 12, 2011

Esse Teu Olhar

Navego no teu olhar,
Cego, perdido,
Como uma noite sem o luar,
De um amor vencido.

Conservo o teu olhar,
Doce e sereno
Num revolto mar,
que neste corpo é veneno.

Recordar é viver.
Mas quem chama,
Num silencio, por quem ama,
É sofrer.

Sofrimento,
momento imortalizado,
No silencio do passado,
Alimento do arrependimento.

Eterna e mortal dor,
De um olhar recordado,
Por um desertor
Que não soube ser amado.

Não teve coragem para lutar,
Por esse intenso acreditar,
De uma sentida paixão,
Que nasceu em vão.

Domingo, Outubro 09, 2011

Vivências...

Sento-me numa cadeira, nesta casa vazia, pego na caneta carregada de poesia que em qualquer folha de papel liberta, conta historias, conta a vida… cruel, sofrida, vivida intensamente e outras distantemente, isolada no mundo criado naquele quarto, em que nasceu este poeta. No frio da noite o calor das palavras aquecem, nascem da escuridão para darem alguma luz, um descanso a esta cruz que carrego. Sem embargo, cada palavra escrita, será sentida por quem tiver que sentir, imortalizada na pele de quem viveu e escreveu a eternidade de uma verdade na brevidade de uma vida. A morte seduz o tempo e já falta tão pouco, cada dia poderá ser o ultimo, o tempo voa e cada momento não vivido, será sofrimento que a vida não perdoa. Peço mais um tempo para escrever o poema que ainda não escrevi ou para viver alguns momentos que não vivi. Agarro a terra que piso com força para que não perca nenhum grão da minha passagem, nesta viagem chamada vida e sou apenas mais um viajante que deseja aproveitar cada instante, sentir tudo o que há para sentir, sejam diferentes sabores para serem saboreados ou diferentes dores para as mesmas lágrimas, sorrisos para um mundo e para quem amo, aclamo o meu tempo num ultimo suspiro que observo numa plateia vazia a ultima ceia de um corpo já cansado, vencido por um tempo que condena todos. Observo as palavras e lágrimas que outros choram, num fim anunciado desde o primeiro dia, mas esta vida não será em vão, preenchida, por esta poesia que vive por mim.

Quinta-feira, Outubro 06, 2011

Vida

Cada segundo passa sem retorno, uma destruição maciça de um nada que por breves anos foi tudo e ficam apenas historias, para contar de quem por mais um tempo fica e vão morrendo de boca em boca, esculpindo a insignificância de um pequeno ser humano num mundo imenso. E podemos mudar tanto e ficamos preso a cada minuto que passa, prisioneiros de um tempo que acreditamos que é o único que temos. Queremos sempre mais e essa ganância vista pelos olhos de outros que pouco ou nada tem é tão ridículo, mas continuamos a querer mais e temos tão pouco. O único que carregamos são sentimentos, momentos que nada nem ninguém pode roubar do nosso viver, um dia nascemos no outro morremos, o que somos? O que fizemos? Vivemos ou passamos ao lado de uma vida por viver? Não sabemos quando partimos mas sempre pensamos que será tarde ou que somos eternos e os momentos escapam por entre os dedos, quando não sentimos. Por vezes é tarde para dizer amo-te ou um simples obrigado, não porque partimos antes do tempo… mas sim porque evitamos o passado, sem dar-mos conta que não existe futuro, pensando que temos todo o tempo do mundo. A morte é um escuro e eterno final, nada mais fica se não as glorias e derrotas vividas, recordadas entre conversas de quem recorda com saudade aquele que partiu, essa palavra tão portuguesa é das dores mais dolorosas que a morte faz sentir.

Sábado, Setembro 17, 2011

Consumo

Consumo os teus doces lábios, numa eterna noite que navega a deriva por entre oceanos de amor, num lençol amachucado, vencido pela fúria da paixão, consumida até ao nascer do sol. Consumo a alegria do teu olhar, no acordar de uma cama desfeita, construída pelo desejo de dois corpos consumidos, perdidos e encontrados um no outro. Consumo o teu sabor, em tons de amor que pinto na tela da nossa história, cor a cor que do abstracto nasceu o retracto que hoje em palavras relato. Consumo o dia, para que chegue a noite, para poder consumir esse abraço num tempo que arrasta-se na tua ausência e voa na tua presença. Consumo cada segundo que estamos juntos como não houvesse amanhã, cada olhar trocado em mil carícias, cada sorriso reencontrado num beijo apaixonado, cada pedaço de pele que minhas mãos percorrem, momentos tão nossos que não morrem nas mãos do tempo. Consumo o ontem, hoje e Amanhã, em cada manhã que acordo ao teu lado, e em cada noite que adormeço embalado por o teu abraço forte e destemido, que entrega a força necessária para não dar-me por vencido. Consumo as lágrimas que derramamos em confissões e medos que declamamos, consumo a tristeza e a dor porque não só da beleza nasce o amor.

Segunda-feira, Agosto 22, 2011

Palavras Despidas

Palavras suavemente despidas, que as minhas mãos escrevem na tua pele, derrotas e vitorias, feridas, gravadas em palavras que foram o ultimo reduto de uma quimera conquistada, marcando o inicio de uma nova era. Minhas pernas, presas nas areias movediças de um medo, em que um beijo lançado ao ar, foi o suficiente para agarrar e conquistar as fronteiras de um medo, já vencido. Navegas pelo meu mar, um amar sem medos, em que tempestades passaram por nós e não triunfaram. A minha voz declama ao mundo velho entre as sombras dessas ruas escuras, que escondem o mundo novo, que procuras. Essa procura interminável pelo desconhecido, o diferente que nunca foi vencido ou o original que nunca foi desvendado, deixando de lado o velho mundo que tem tanto por desvendar. Lança os dados, roda a roleta, deixa que deslize a areia da ampulheta, e o tempo passa. A demanda interminável da procura por o sentimento perfeito, será sempre isso, uma vida finita perdida no infinito de um sentir sem sentido. Eu agarro o olhar já observado, navego pelo mar já navegado, preservo o beijo apaixonado já denunciado pelo nosso olhar e conservo-o eternamente, nas palavras que sempre declamei. Amo e Amei, procuro em ti o sonho vivido e não dou voltas ao mundo num sonho ainda por viver , é esse segundo repetido, que constantemente entregas que dá sentido a vida, torna real este sentimento este sonho que nasce de nós, numa eterna repetição em que cada segundo é igual e ao mesmo tempo tão diferente. Se um dia morrer, levarei comigo esse sentimento conquistado, essa vida partilhada e amada, e não mil corpos diferentes saboreados e deixados ao relento de um vento, um rebento sem futuro que não nasceu naquele que morreu, como quem enganou a vida e a ele próprio, em mil conquistas, perdidas num mar de desejos lançados, no vazio de um amar frio, como quem não amou.

Sábado, Agosto 20, 2011

Noite de insónia

A noite cai,
E desperta o brilho das estrelas.
Tu dormes sem ler as letras,
o reflexo do teu relevo,
que nesta noite de insónia escrevo,

Neste poema interminável,
A ausência da tua presença,
Faria de mim um miserável,
Que não escreve poesias
Mas sim a sua própria sentença.

Um enterro,
Elaborado em tons de negro,
Amargo gosto de um desgosto
Onde um corpo descomposto,
Já não compõem sentimentos.

As estrelas brilham,
A lua iluminada, reflecte a tua pele nua,
E incendeia a poesia,
Até que nasça o dia.

O sol nasce,
E este ladrão de palavras,
Que rouba da tua beleza,
Lavra de dia a natureza
Para colher a noite os frutos,
Em forma de poemas.

Domingo, Agosto 14, 2011

Sem Ti..

Sem o teu sorriso,
Estas folhas preenchidas
Estariam vazias.

Sem os teus beijos,
Meu corpo sedento
Estaria morto.

Sem a tua voz,
Perderia o fascínio,
De escutar este mundo vazio.

Sem o brilho do teu olhar,
Não teria quem ensinar
Nem o que aprender.

Sem a tua dedicação,
Meu coração,
Bateria em vão.

Sem a tua poesia,
Seria um fogo sem chama
Que queima quem ama.

Sem o teu corpo,
Seria um vagabundo,
Que vagueia moribundo
Por este mundo.

Sem as tuas mãos,
As minhas não teriam mar
Para navegar,
Em noites de luar.

Sem ti,
Não saberia sentir,
O que senti.

Domingo, Agosto 07, 2011

A semente

Tuas mãos semearam,
Neste corpo perdido.
Teus lábios regaram,
um amor ainda não nascido.

Com o passar do tempo,
A semente
Brota, nessa terra morta,
Que agora sente.

E eu… absorvo os teus beijos,
O brilho dos teus olhos,
Tudo o que posso,
Para que seja nosso.

Em vez de um ser só,
Semeado num sombrio,
Corpo frio,
Regado pelo pó,
De uma terra sedenta.


Mas não!!

Esta vida nasce,
num rebento de flor,
Que brotou na terra queimada.
Onde feridas de dor,
Foram sementes de amor.

Sábado, Agosto 06, 2011

Noite estrelada

Numa noite com céu estrelado,
Nossos corpos,
Perdem-se,
Num beijo apaixonado.

Estendidos
Em quentes areias,
Que aquecem o sangue
que escorre por as nossas veias.

Á velocidade da luz,
Lenta para este amar,
Em que cada estrela reluz
A beleza do teu olhar

E dois corpos estendidos
No êxtase do prazer,
Deixam-se vencer
Pelo cansaço.

E num eterno abraço
Observamos o céu,
Que aclama as palavras
Que o meu corpo desenhou no teu

Quinta-feira, Agosto 04, 2011

Procuras o que escondes

Procuras o que escondes,
E não encontras.
E fogem as palavras,
No gélido frio das tormentas
Que crias…

Na luz intensa da escuridão,
As poesias
Ganham vida,
E nascem em vão.

Perdem o sentido,
como folhas caídas,
Vencidas num Outono
Esquecido,
Que todos pisam.

Marcando passos.
De outros
Que poderiam ser teus.

E em momentos
De fragilidade e saudade,
Escondes o que procuras
Com medo de encontrar
O que desejas.

A realidade
Dos sonhos perdidos,
que nunca foram realizados.

Segunda-feira, Agosto 01, 2011

Mel

Nasces-te dos nossos corpos, foste semente de amor delineada por os nossos lábios numa noite de paixão, não foi em vão, esses dois anos que esperamos, entre desespero de uma curta mas longa travessia de deserto, que foi a poesia mais silenciosa que declamei. Amei cada segundo que esperei, amei cada mão que deslizei pelo teu ventre, num sentir sentido, vencido por um amor ainda não nascido. Observei-te nos meus braços, pequena e frágil, protegendo-te de um mundo novo sem querer que nada faça mal ao meu rebento e nesse abraço sinto o amor incondicional, de um momento imortalizado nessas lágrimas que deslizaram pelo meu rosto.
Existe tanto para ensinar a esses olhos curiosos de quem olha para tudo pela primeira vez, a novidade de um novo mundo para explorar, tanto para aprender com uma criança que desenha esperança num mundo quase perdido. Quero viver a sinceridade da verdade das tuas palavras, quero sentir os teus gestos sinceros sem interesses nem maldade, quero dar amor e carinho, dizer-te que escolhas o caminho que escolheres, será sempre correcto se sentires, com uma intensidade tal, que não haverá sonho que não se torne realidade.
Decisões serão muitas, e nesta vida não há uma resposta correcta, tens que sentir e acreditar, viver e amar. Cada acontecimento por mínimo que seja, influencia uma vida, um puzzle que peça a peça vais preenchendo, mostrando uma imagem mais nítida de quem és. Sentirás dor, porque ninguém passa pela vida sem senti-la, lágrimas vão escorrer por o teu rosto até tocarem na tua alma, mas calma a vida é mesmo assim, temos que aprender com a dor. Se alguém desaparece, chora lágrimas de dor mas recorda, porque recordar mantém essa pessoa viva, se um amor acaba, sorri porque aconteceu não ignores porque acabou, porque quem ignora é como quem não amou. Enfrenta as ondas violentas de um mar chamado vida, agarra com a força de quem acredita e segue por onde tens que ir, a vida é curta e cabe a ti aproveitar cada milésimo de segundo, não olhes para trás como quem mudava tudo, olha para trás com orgulho das pegadas que deixas neste mundo.
Minha filha tens tanto para aprender e do muito que podia ensinar não posso porque depende de ti tirar as conclusões que eu próprio descobri sozinho. Tens que ser tu, no teu caminho em que eu serei mero espectador que sente a felicidade e a dor que tu irás sentir, estarei do lado de fora para apoiar ou para simplesmente ouvir da tua voz as palavras que queres que escute, luta e eu lutarei contigo sem que vejas, como naquelas noites em que beijo a tua testa enquanto dormes. Faças o que faças, sejas quem sejas espero que tudo o que desejas se realize, e que acredites sempre nos sonhos, que um dia irás realizar, e nunca deixes de amar.

Terça-feira, Julho 19, 2011

Em busca da Felicidade

A mala carregada de sonhos e medos na chegada a uma nova cidade, a saudade que aumentava instantaneamente a cada passo dado. Uma despedida curta e sentida, de quem ainda tinha muito por viver e que naquele momento dava os seus primeiros passos. Olhava para o teu lado no inicio desta vida e recordava o passado que não vivemos sentia um pouco de arrependimento talvez por não ter aproveitado cada momento, cada sentimento, cada lágrima libertada. Apaixonados como nunca tivemos, o ser humano é tão estranho que por vezes necessitamos morrer para renascermos, naquela altura renasci. Observando agora estes 3 anos que passaram a voar, crescemos em momentos de amor, em momentos de dor e de sofrimento. Ficamos mais fortes e mais unidos apesar de termos momentos de fragilidade em que as lágrimas escorrem por o nosso rosto talvez seja saudade, medo ou uma simples discussão de duas pessoas teimosas que por vezes não dão o braço a torcer. A vida a dois talvez seja isso uma busca interminável pela felicidade, onde nunca podemos estar satisfeitos e temos que querer sempre mais e mais seja um sorriso ao despertar ou um beijo carregado de desejo ao adormecer.
Não há segredo para a felicidade talvez haja um e é tão simples como aproveitar cada momento cada segundo, que sentimos e sentir mais ainda, sem cobardia, numa poesia declamada para que todo mundo escute incluso quem declama oiça quem ama, essa é a mais bela poesia um amo-te escrito num espelho transpirado, um quero-te durante uma noite em que dois corpos se amam, um pedaço de papel escrito com poucas palavras deixado debaixo de uma almofada.
O vazio está presente na perda de um ser que não vimos crescer mas que cresceu em nós, uma dor que uniu o que já era unido, dando força e esperança, entre lágrimas partilhadas em noites mal dormidas onde voltamos atrás para buscar a paz que perdemos e aos poucos e poucos sem nos darmos conta construímos e concretizamos sonhos já esquecidos ou fechados em gavetas, com o tempo superamos um pouco mas nunca esqueceremos, pois a dor continua como uma marca de guerra nos nossos corpos, impossível de superar mas gostamos de pensar que nada acontece por acaso, e agora cada passo dado tem mais sabor, tem mais sentimento. Hoje a tua barriga cresce e eu acaricio-a como nunca antes fiz, partilho tudo o que tenho para partilhar e sei que fazes o mesmo, o oxigénio da felicidade é esse, partilhar tudo e nada, porque o vazio também se partilha. As dificuldades muitas vezes são criadas por quem ama num ignorar de etapas, porque queremos ir mais além do que realmente podemos, talvez devêssemos fazer um inventario de degraus e descer todos aqueles que não subimos para subirmos de novo degrau a degrau, abraçados a cada segundo sem pressa, saboreando o momento, que são esses que nos trazem a felicidade, passo a passo juntos numa valsa lenta ritmada pelo bater suave do nosso coração, e o importante não foi o final da musica ou do baile mas sim cada momento e cada passo dado em harmonia de um amar intenso, pronto a ser repetido pronto a ser saboreado de novo como se fosse a primeira vez e não a última.

André Henry Gris

Sábado, Julho 16, 2011

Fogo Lento / Susana

Recordações aquelas que continuam presentes, porque não recordamos apenas quando perdemos, temos que sentir a serem cozinhadas num fogo lento de uma paixão ainda consumida. O tempo vai passando por nós, numa memoria longa de um destino que desenha a nossa historia, pintando o céu de beijos, as estrelas da cor do teu sorriso, num eterno universo onde vagueamos juntos, num perpetuar de um primeiro beijo ainda hoje saboreado, lentamente, como o toque suave de um pincel numa tela vazia, preenchida aos poucos, criando uma obra de arte que nunca estará finalizada pois haverá sempre mais um sorriso para desenhar, um beijo para pintar e dois corpos entrelaçados numa cama para esculpir.
A noite adormece, neste corpo que envelhece com os anos e o único desejo que resta é que o faça ao teu lado, recordando o passado como um presente recente que passou por nós. Continuo a escutar a tua voz num quarto de luz apagada e nós por entre lençóis, partilhamos palavras apaixonadas nunca antes repetidas e mil vezes declamadas em poemas escritos, que só encontram sentido quando palavra a palavra são lidos por ti.
A vida muda tanto e os sonhos vão e vem como ondas numa praia vazia, talvez tenha sido um eterno sonhador que tentou sonhar a vida que não vivia, idealizou uma cor, talvez mais brilhante para ver na distancia todos os sonhos que não foram realidade. O tempo vai desvendando a verdade de uma dura realidade que os nossos olhos recusam ver, hoje vejo que não passaram de ilusões, para aquela criança já adulta que fervia de vontade em marcar o mundo, tanta vontade e ingenuidade que só agora descobriu que é preciso pouco, tão pouco para ser feliz, basta um amo-te soletrado pelos teus lábios para sentir-me realizado, basta um leve e suave beijo para tornar realidade tudo o que desejo. Largo os mil sonhos perdidos nessa estrada vazia que em noites frias percorri, esqueço os mil passos dados em direcções opostas para seguir os teus passos, fecho portas abertas como quem já não precisa de fugir e apago todas as folhas preenchidas por palavras vazias para voltar a rescrever, sentidas em cada ar teu que eu respiro, em cada suspiro de felicidade no qual descrevo a verdade dos nossos corpos, que amam e continuam a amar como duas crianças a desenhar na areia molhada os nossos nomes, numa onda que apaga e a persistência do sonho vivido faz com que escrevamos de novo letra a letra nesse eterno sentimento que perdura na loucura de amar quem nos ama, olho para trás, observo essa praia completamente preenchida com os nossos nomes, por que as ondas do tempo não conseguem apagar a persistência de um amar.
Olhando para trás…Conjugando tempos passados, faz quase dez anos desde que contemplei pela primeira vez o teu sorriso e beijei esses lábios ternos e suaves desenhados por deuses que ao tocarem na pele deste mero mortal entregaram a imortalidade, ai começou a viagem por entre o desconhecido, que aos poucos ganha um rasto, num olhar cada vez mais intenso, o inicio será sempre apenas isso, um tiro no escuro de dois corpos cegos que não sabiam nada de uma vida ainda por viver.
Perdi demasiado tempo entre outras palavras, corpos e pecados, talvez hoje tivesse seguido um único caminho mas não seriamos quem somos, talvez fossemos uma recordação de quem sonhou e fez sonhar, de quem amou e ensinou a amar. Talvez tenhas amado demasiado e eu não dei valor, nem ao teu amor nem a tua dor, apaguei aquele belo sonho e desenhei traços de pesadelo no teu caminho, que depois vivi para sentir o mal que criei, foi nesse momento que amei todos aqueles segundos que deixei o nosso amor num mar a deriva por não ter amado o que devia. Entrei na estrada errada para descobrir o caminho certo e estive perto de perder-me na eterna escuridão de sentimentos não vividos, voltei atrás, num ultimo fôlego que foi o inicio de um novo amor que nasceu da dor, essa que para os teus olhos, nunca foi dor mas sim esperança, resistindo a força do tempo, essa mesma força com que abraças-me durante a noite quando choro e tu constróis uma fortaleza com os teus braços para defender-me, nesses momentos sinto-me realizado, no olhar doce e sereno que o teu amor entregou e eu sem ele já não sei ser quem sou.